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"... dentro dela tem um coração bobo, que é sempre capaz de amar e de acreditar outra vez. Uma solidão de artista e um ar sensato de cientista… tem aquele gosto doce de menina romântica e aquele gosto ácido de mulher moderna." Caio Fernando Abreu

domingo, 15 de abril de 2012

Profundamente


Que vontade de escrever pra você.

Te recordo a cada momento, por mais que eu contemple outros campos, outras flores. A paisagem refúgio/fortaleza ainda é você. De todos os abraços, sorrisos, diálogos os que se ressurgem são os seus. Hoje, veio-me a vontade mais que serena de subjetivar o passado e tornar-me outra. Posso? Até quando a imagem desse amor ideal vai esconder a realidade? Foram as manhãs de sábado, as tardes de domingo, a ‘anti-rotina’ da semana, a vida em intensidade e veracidade plena, que decidiram por mim a solidez desse afeto. As razões para esquecer já esgotaram. E me encontro em puro desequilíbrio.

Eu queria ver agora a sua face solar, ouvir suas verdades, rir do seu destempero e amar tudo em você como antes. Nem sei se amava ou se admirava descrente a beleza divina materializada. Será que era divina? A única coisa que você irradiava era dúvida. E hoje só sei duvidar desse tempo que te mantém distante. De quantos desafios será composto um encontro como o nosso? Nem penso, arrisco fácil se for pra te ver.

Que saudade de te levar nos olhos. Vontade de cravar felicidade no seu rosto e aplacar as suas dores. Só você desfaz o óbvio e produz metamorfoses. Saudade de te acordar com citações de Neruda, Vinícius, Rilke e nunca exaurir nosso repertório de autores. Desejo suplicante de conquistar cada sentido do seu corpo. Sentir o gosto da sua personalidade em mim. É tão desconcertante a tua ausência. É como se eu não estivesse em casa. Entendes? Eu sei que sim. O fato é que na vida só o amor correspondido não basta. Mas o que eu faço com o suspiro involuntário, com o arrepio automático, com o torpor enlouquecedor das lembranças? É, tá difícil. Ainda mais quando só encontro amores superficiais para tentar te substituir. Amor, sou rendida aos teus encantos. Salva-me...

"...No entanto a tua presença
é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto
existe o teu gesto e em minha voz a tua voz
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado
Quero só que surjas em mim
como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar
uma gota de orvalho
nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne
como nódoa do passado..." V. de Moraes


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